Brasil: Marchar novamente é preciso! para exigir Lula Livre

Marchar novamente é preciso para retomar a democracia, a Reforma Agrária, denunciar a retirada de direitos e exigir Lula Livre. Essas são as principais bandeiras de luta que impulsionam o processo de construção da Marcha Nacional Lula Livre.

O ato de Lançamento da Marcha foi realizado na noite da última sexta-feira (3). E contou com a participação de diversos movimentos e organizações populares, no Armazém do Campo, em São Paulo, durante Ato Político em comemoração aos dois anos da loja.

Músicas e palavras de ordem ajudaram na construção de uma mística, avaliada como necessária para fortalecer os corações e mentes dos trabalhadores e trabalhadoras que estarão em marcha entre os dias 10 e 15 de agosto, em direção a Brasília.

Em solidariedade aos seis militantes de movimentos e organizações populares que estão em Greve de Fome por Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, desde o último dia 31 de julho, o Ato de Lançamento destacou a importância de tomar medidas extremas em momentos em que a conjuntura coloca os trabalhadores em situações extremas.

Percurso da Marcha

A marcha, puxada pelo MST, é uma construção de diversos movimentos e organizações populares do campo e da cidade. Será organizada em três colunas, saindo de três pontos do país: da cidade de Formosa, a partir da Rodovia 020; Engenho das Lages, pela Rodovia 60; e de Luziânia, na Rodovia 40. Cada coluna percorrerá cerca de 50 km e mais de 5 mil marchantes são esperados.

Durante o Ato de Lançamento, Márcio Santos, da coordenação nacional do MST, destaca que essa mobilização tem um significado impar para alterar a atual conjuntura de golpe no país. “Nesse momento, a nossa marcha tem como foco principal a defesa da democracia que está sendo atacada nos últimos dois anos. E compreendemos que defender a democracia, significa também defender a liberdade de Lula e o direito dele ser candidato. Portanto, é uma marcha que vai entrar para a história do Brasil”, enfatiza.
 

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Mobilização

Para Marcha deste ano, Márcio afirma que o MST, internamente, a partir dos assentamentos e acampamentos, tem realizado um grande processo de mobilização.  “A nossa base está de prontidão para marchar à Brasília. Desde o Sul até o Norte, do Leste ao Centro-oeste do país, nós estamos mobilizando nosso povo e a recepção está sendo significativa. Todas as regiões do Brasil estão mandando gente para Brasília”, pontua.

Nesse aspecto, ele acrescenta que o povo entende que não é só a bandeira da Reforma Agrária que está em jogo. “O que está em jogo é um projeto popular para o país. Marchar nesse momento é de uma envergadura ainda não calculada”, conclui.

O Ato de Lançamento da Marcha Nacional Lula Livre reafirmou a necessidade de lutar permanentemente pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, mas também, alimentou a mística que tem contribuído na mobilização de diversos movimentos populares, em defesa da democracia e de Lula Livre.
 

Um instrumento histórico

Essa não é a primeira Marcha realizada por trabalhadores e trabalhadoras de movimentos e organizações populares. O MST, em 1997, um ano após o Massacre de Eldorado dos Carajás, deu início a Marcha Nacional por Emprego, Justiça e Reforma Agrária. Com 1,3 mil Sem Terra e divididos em três colunas, o objetivo era chegar em Brasília no dia 17 de abril e denunciar, principalmente, a violência e a impunidade no campo. O percurso durou exatamente dois meses.

Em 1999, durante uma Jornada Nacional de Lutas, um conjunto de Movimentos do campo e da cidade realizaram a Marcha Popular pelo Brasil, com o objetivo de barrar as políticas conservadoras e o projeto de privatizações das empresas públicas do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). A Marcha contou com a participação de mil pessoas, saindo do Rio de Janeiro em direção à Brasília.

Outra Marcha histórica na luta popular brasileira foi realizada em 2005. No dia 02 de maio, o MST iniciou a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, saindo de Goiânia (GO) e até Brasília, com mais de 12 mil pessoas. Diversos foram os pontos de pauta, entre eles se destacam a defesa da Amazônia contra os interesses das transnacionais; impedir o processo de privatização da água; barrar a liberação dos transgênicos; demarcar imediatamente todas as terras indígenas; expropriar as fazendas com trabalho escravo; dobrar o valor do salário-mínimo; realizar uma auditoria pública da dívida e retirar as tropas do Haiti.

Confira mais informações sobre a Marcha Lula Livre no evento do Facebook

*Editado por Solange Engelmann